O Castelo Esquecido

Em uma manhã de sexta-feira, um ciclista chamado Luiz decidiu fazer uma trilha por uma floresta que nunca havia visitado. Apaixonado por aventuras, ele gostava de explorar lugares desconhecidos, registrando cada percurso em seu GPS.

Enquanto pedalava tranquilamente, admirando a paisagem e ouvindo apenas o canto dos pássaros, percebeu um caminho estreito que não aparecia no mapa do aparelho. A curiosidade falou mais alto. Sem pensar duas vezes, entrou na trilha misteriosa.

Depois de cerca de trinta minutos pedalando por entre árvores centenárias e uma vegetação cada vez mais fechada, encontrou algo completamente inesperado. Um enorme castelo de pedra surgia escondido no coração da floresta. Suas muralhas eram cobertas por trepadeiras, e os enormes portões de madeira estavam entreabertos, como se aguardassem a chegada de alguém. O lugar parecia abandonado havia décadas. Intrigado, Luiz deixou a bicicleta encostada em uma árvore próxima ao portão e entrou. Assim que atravessou a entrada, um frio percorreu seu corpo.

Os corredores eram escuros, silenciosos e assustadoramente frios. O único som era o eco de seus próprios passos. Enquanto explorava o castelo, encontrou um antigo relógio de bolso dourado, ornamentado com símbolos que ele nunca havia visto. O mais estranho era que, apesar da aparência envelhecida, o relógio continuava funcionando perfeitamente. Movido pela curiosidade, Luiz o pegou.

No mesmo instante, o relógio começou a tocar doze badaladas, embora não fosse meio-dia nem meia-noite. O som ecoou por todos os corredores. Então, algo impossível aconteceu. As portas começaram a bater sozinhas. Janelas se abriram violentamente. Passos pesados surgiram em diferentes corredores, como se várias pessoas corressem pelo castelo. Mas não havia ninguém.

O ar tornou-se gelado. As sombras pareciam se mover pelas paredes. Assustado, Luiz correu em direção à saída. Quando finalmente atravessou o portão principal, percebeu que sua bicicleta havia desaparecido.

No lugar onde ela estava havia apenas marcas profundas no chão, como se algo enorme a tivesse arrastado para dentro da floresta. Antes que pudesse reagir, ouviu uma voz grave e distante, vinda de todos os lados ao mesmo tempo:

— Ninguém encontra este castelo por acaso…

Luiz olhou ao redor, mas não viu ninguém. A voz continuou:

— E quem leva o relógio… nunca vai embora sozinho.

Tomado pelo pânico, ele largou o relógio no chão e correu desesperadamente pela floresta. Depois de muito tempo, conseguiu encontrar a estrada e pediu ajuda. Quando contou o que havia acontecido, ninguém acreditou.

Dois dias depois, determinado a provar que dizia a verdade, Luiz voltou ao local acompanhado de cinco amigos. Eles seguiram exatamente o mesmo caminho registrado no GPS. Porém, quando chegaram ao ponto onde o castelo deveria estar… Não havia absolutamente nada. Apenas árvores, pedras e o silêncio da floresta. O castelo havia desaparecido sem deixar qualquer vestígio. Nem mesmo as marcas da bicicleta permaneciam no chão.

Os amigos passaram a acreditar que Luiz havia imaginado tudo. Mas ele sabia que aquilo era real. A partir daquele dia, coisas estranhas começaram a acontecer. Todas as noites, exatamente à meia-noite, Luiz ouvia doze badaladas ecoando em seu quarto. Às vezes, encontrava pegadas de lama dentro de casa. Em outras noites, acordava com a impressão de que alguém caminhava lentamente pelo corredor. O pior acontecia ao amanhecer.

Sempre que olhava para o espelho, via, por apenas alguns segundos, o reflexo de um antigo castelo atrás de si. Quando se virava… não havia nada. Luiz jamais voltou àquela floresta. Mesmo assim, tinha a certeza de que o castelo nunca o deixou.

Alguns dizem que aquele lugar aparece apenas para pessoas escolhidas. Outros acreditam que ele existe entre dois mundos e leva consigo aqueles que ousam perturbar seus segredos. Quanto a Luiz… Ele passou o resto da vida sendo assombrado pelo misterioso Castelo Esquecido e pelas doze badaladas que nunca mais deixaram de ecoar em sua mente.

Pedro Arthur Maciel Nascimento

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *