O relógio da parede da sala marcava exatamente três horas da manhã quando o policial Luiz Oliveira recebeu uma mensagem anônima pelo WhatsApp. Não era uma mensagem de texto, mas um vídeo. A miniatura mostrava apenas a silhueta de um homem vestido de preto, envolto pela escuridão.
Luiz sentou-se no sofá e, intrigado, clicou no vídeo.
A gravação mostrava um quarto completamente escuro, iluminado apenas por uma única lâmpada pendurada no teto. No centro do cômodo, havia uma cadeira de madeira que balançava sozinha, como se alguém tivesse acabado de se levantar. O único som era o rangido da cadeira e o barulho distante de grilos e corujas do lado de fora.
O policial pensou que aquilo não passava de uma brincadeira de mau gosto. Já estava prestes a desligar o celular quando, de repente, a câmera começou a se mover lentamente, como se estivesse sendo carregada por alguém.
A imagem percorreu o quarto até parar diante de uma parede completamente coberta por recortes de jornais. Luiz arregalou os olhos ao perceber que todas as manchetes falavam sobre uma operação contra a corrupção que ele havia comandado anos antes, mas que precisara arquivar por falta de provas.
No centro daquela parede havia uma fotografia recente dele.
Era uma foto tirada naquela mesma tarde, enquanto almoçava sozinho em um restaurante da cidade. O sangue de Luiz gelou. Alguém o estava observando.
Nesse instante, o som de uma porta se abrindo ecoou no vídeo. Uma figura vestida completamente de preto, usando um longo casaco e um capuz que escondia o rosto, entrou lentamente no quarto. Sem dizer uma palavra, caminhou até a cadeira vazia e se sentou diante da câmera. Com movimentos calmos, retirou um pequeno gravador de áudio do bolso do casaco. Apertou o botão de reprodução.
Uma voz feminina começou a ecoar pelo ambiente.
— Luiz… se você estiver ouvindo isto… ainda há tempo…
O policial paralisou. Aquela era a voz de sua esposa, Helena, desaparecida havia três anos, sem deixar qualquer pista. Ele conhecia cada detalhe daquela voz. Era impossível confundi-la. A gravação continuou por alguns segundos, mas foi interrompida por um forte ruído de interferência.
Logo depois, o homem desligou o gravador e permaneceu imóvel, encarando a câmera sem revelar o rosto. Então a tela ficou preta. Luiz permaneceu sentado, incapaz de respirar direito. Seu coração batia tão forte que parecia querer sair do peito. Foi então que um barulho idêntico ao do vídeo ecoou dentro de sua própria casa.
A porta da sala se abriu lentamente. O rangido da madeira parecia o mesmo que ele acabara de ouvir na gravação. Luiz sentiu um arrepio percorrer sua espinha. Ele não conseguia olhar para trás. Algo dentro dele dizia que a pessoa que acabara de entrar conhecia toda a verdade sobre o desaparecimento de sua esposa. Se tivesse coragem de se virar, talvez finalmente descobrisse quem estava por trás daquele mistério que o perseguia havia três anos. Mas também sabia que algumas verdades podem ser muito mais assustadoras do que qualquer dúvida.
E, atrás dele, alguém respirava lentamente.
Luiz Henrique Gomes Silva
