O Chamado da Chuva

Ruby estava passando as férias na casa de campo de seu tio. O lugar ficava bem afastado da cidade, cercado por uma densa floresta, e quase não havia vizinhos por perto. Durante o dia, era um lugar tranquilo e acolhedor, mas, à noite, a casa adquiria um aspecto sombrio e inquietante.

Tudo começou em uma terça-feira. Ruby dormia profundamente quando ouviu alguém bater na janela.

— Toc. Toc. Toc.

Ela acordou assustada e olhou para o relógio. Era exatamente meia-noite. Criando coragem, levantou-se, caminhou lentamente até a janela e afastou a cortina. Não havia ninguém. Ela permaneceu alguns segundos observando a escuridão do lado de fora, mas tudo o que viu foi o balanço das árvores provocado pelo vento.

No dia seguinte, tentou convencer a si mesma de que tudo não passara de imaginação. No entanto, na noite seguinte, aconteceu novamente.

— Toc. Toc. Toc.

As mesmas três batidas. No mesmo horário. E, mais uma vez, não havia ninguém do lado de fora.

Depois de alguns dias, Ruby já não conseguia dormir direito. As olheiras denunciavam as noites mal dormidas, e o medo crescia a cada novo amanhecer. Decidiu, então, pedir ajuda a dois amigos da família: Jack Hunter e Ben Hunter.

Os irmãos chegaram no dia seguinte.

— Talvez seja apenas alguém tentando assustar você — disse Ben, tentando tranquilizá-la. Jack, porém, permaneceu olhando fixamente para a floresta.

— Ou talvez seja algo que não deveria estar aqui — respondeu em voz baixa.

Naquela noite, os três decidiram permanecer acordados. Quando o relógio marcou meia-noite, as batidas recomeçaram.

— Toc. Toc. Toc.

Jack abriu a porta rapidamente e correu para fora. Nada. Não havia ninguém perto da casa. Nenhuma pegada na terra úmida. Nenhum som. Nenhum sinal de que alguém tivesse passado por ali. Na manhã seguinte, resolveram conversar com alguns moradores antigos da região. Uma senhora, de cabelos completamente brancos, ouviu a história em silêncio antes de responder:

— Há muitos anos, uma família morava naquela casa. Durante uma madrugada de tempestade, um incêndio consumiu o lugar. Todos conseguiram fugir… menos uma menina. Nunca encontraram o corpo dela.

Ruby tentou não acreditar na história, mas um frio percorreu sua espinha. Naquela mesma noite, uma tempestade caiu sobre a floresta. O vento fazia as janelas estremecerem. Os relâmpagos iluminavam a casa por frações de segundo. Então… as batidas voltaram. Desta vez, muito mais fortes.

— TOC. TOC. TOC.

Ruby quase saltou do sofá. Antes que alguém pudesse dizer qualquer coisa, ouviram outro som. Passos. Passos lentos vindos do andar superior. Os três se entreolharam. A casa deveria estar completamente vazia. Jack pegou uma lanterna e começou a subir a escada. Ben foi logo atrás. Ruby respirou fundo e decidiu acompanhá-los.

Ao chegarem ao corredor, perceberam que uma das portas estava aberta. Eles tinham certeza de que ela estava fechada poucos minutos antes. Jack iluminou o interior do quarto. No primeiro instante, não havia ninguém. Então Ruby viu. Uma menina estava parada no canto do quarto.

Vestia um antigo vestido branco, queimado em algumas partes, e mantinha a cabeça abaixada.

— Quem… quem é você? — Perguntou Ruby, quase sem voz.

A menina levantou lentamente a cabeça. Seu rosto era extremamente pálido. Seus olhos eram completamente negros. A lanterna começou a piscar. Quando a luz voltou ao normal… Ela havia desaparecido.

No mesmo instante, uma nova batida ecoou pela casa. Mas não veio da janela. Veio da porta do quarto.

— Toc. Toc. Toc.

Os três permaneceram imóveis. Porque estavam dentro do quarto. E não havia ninguém no corredor. Ou, pelo menos… Era isso que eles acreditavam.

Na manhã seguinte, decidiram abandonar a casa. Antes de partir, Ruby olhou pela última vez para a janela do quarto. No vidro embaçado havia três pequenas marcas, como se dedos infantis tivessem tocado o vidro durante a madrugada. Ela limpou o vidro com a mão. As marcas desapareceram. Mas, quando entrou no carro e olhou novamente pelo retrovisor, viu uma pequena menina parada atrás da janela.

Ela sorriu lentamente. E bateu no vidro três vezes.

— Toc. Toc. Toc.

Desde então, turistas que passam férias naquela antiga casa juram ouvir, exatamente à meia-noite, três batidas vindas da janela. Alguns dizem que é apenas o vento. Outros afirmam que a menina continua esperando que alguém finalmente abra a janela para ela entrar.

Heladya Hellen da Silva Felipe

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