Íris jamais diria que gostava de cuidar das plantas. Desde que sua mãe morreu, nunca mais tentou cuidar de nenhuma. Ela não conseguia sequer olhar para um vaso de plantas sem se sentir mal. Era como se cada flor fosse uma lembrança da mãe, que não estava mais ali.
Certa noite, Íris dormia quando um cheiro de terra molhada a despertou. Levantou-se devagar, seguiu até a sala e se deparou com um vaso repleto de flores vermelhas. Seu coração disparou. Ela não sabia como aquele vaso havia parado ali, mas a visão das flores trouxe à tona lembranças que há muito tempo tentava enterrar.
Sem coragem de tocá-las, Íris ficou parada, apenas as observando e sentindo o cheiro suave das pétalas recém-abertas. Seu peito se apertou, mas, ao mesmo tempo, havia algo diferente naquela sensação. Pela primeira vez em muito tempo, percebeu que talvez não precisasse mais fugir daquelas memórias.
Com um suspiro trêmulo, aproximou-se um pouco mais. Estendeu a mão hesitante, mas, antes de tocar as pétalas, fechou os olhos e sorriu. Talvez, cuidar das flores não fosse apenas uma lembrança dolorosa. Talvez fosse, também, uma forma de manter sua mãe viva dentro dela.
Sabrina da Silva Oliveira.
