Em uma noite escura, fria e misteriosa, uma antiga escola abandonada parecia ter voltado à vida. As luzes de algumas salas estavam acesas, e era possível ouvir o som de um velho sino ecoando pelo prédio, como se as aulas ainda estivessem acontecendo.
Na mesma noite, quatro amigos — Roberto, Yara, Ruan e Flávia — passavam em frente ao local. Intrigados com o estranho movimento, decidiram descobrir o que estava acontecendo.
Antes de entrarem, porém, Roberto resolveu contar a história daquela escola.
— Vocês sabem por que ela foi abandonada? — Perguntou.
Os amigos balançaram a cabeça, curiosos.
Roberto continuou:
— Há muitos anos, vários alunos e professores morreram de forma misteriosa. A polícia investigou o caso e descobriu que as vítimas haviam sido envenenadas. O veneno estava misturado à água que era distribuída na escola. Apesar das investigações, o responsável nunca foi encontrado. Depois da tragédia, a escola foi fechada e permaneceu abandonada desde então.
Ao ouvir a história, todos sentiram medo, mas a curiosidade falou mais alto.
Assim que entraram, perceberam que o prédio estava completamente destruído. As paredes estavam rachadas, as carteiras quebradas, os corredores cobertos de poeira e teias de aranha, enquanto o silêncio tornava o ambiente ainda mais assustador.
Enquanto exploravam o lugar, as lanternas começaram a piscar, e um vento gelado percorreu os corredores.
Poucos minutos depois, Roberto percebeu algo estranho.
— Cadê a Yara?
Os quatro pararam imediatamente.
Yara havia desaparecido.
Desesperados, começaram a procurá-la por toda a escola. Depois de algum tempo, encontraram uma sala com a porta entreaberta.
Ao entrarem, encontraram o corpo de Yara caído no chão, coberto de sangue e com diversos ferimentos provocados por uma faca.
Tomados pelo pânico, os três saíram correndo em busca da saída.
No entanto, quando olharam para trás, perceberam que Ruan também havia desaparecido.
Mesmo com medo, decidiram voltar para procurá-lo.
Depois de vasculharem várias salas, encontraram o corpo de Ruan nas mesmas condições do de Yara, confirmando que alguém os estava perseguindo.
Restavam apenas Roberto e Flávia.
Sem pensar duas vezes, correram pelos corredores escuros, ouvindo passos cada vez mais próximos.
De repente, Roberto disse:
— Flávia, continue correndo! A saída está logo à frente. Eu vou tentar descobrir quem está nos seguindo.
Flávia hesitou, mas obedeceu.
Enquanto corria em direção ao portão, ouviu um grito desesperado de Roberto, seguido por um silêncio absoluto.
Sem coragem para voltar, saiu da escola e correu até a delegacia mais próxima.
Ofegante, contou tudo aos policiais.
Inicialmente, alguns duvidaram da história, mas uma equipe decidiu acompanhá-la até a escola.
Ao chegarem ao local, encontraram os corpos de Roberto, Yara e Ruan, espalhados pelo prédio.
Os policiais iniciaram uma busca completa e descobriram uma antiga passagem secreta que levava ao porão da escola.
Lá encontraram um homem escondido na escuridão, segurando uma faca e vestindo roupas completamente ensanguentadas.
Depois de ser preso, confessou um crime que permanecera sem solução durante décadas.
Foi ele quem havia envenenado alunos e professores quando a escola ainda funcionava. Após o fechamento do prédio, passou anos escondido no porão, sobrevivendo em segredo e atacando qualquer pessoa que ousasse entrar no local.
O caso finalmente foi encerrado, e a escola foi demolida para que ninguém mais corresse perigo.
Naquela mesma noite, uma avó terminou de contar essa história aos seus netos.
Ela sorriu e perguntou:
— Essa foi a história. Gostaram, meus netos?
Os netos responderam, ao mesmo tempo:
— Sim…, mas ela dá muito medo!
A avó riu e disse:
— Então vamos esquecer esse susto com um bolo quentinho.
Os netos gritaram, animados:
— VAMOS!
Enquanto caminhavam para a cozinha, a avó olhou discretamente pela janela em direção à antiga escola, agora vazia. Por um instante, um leve sorriso surgiu em seu rosto, como se ela soubesse muito mais do que havia contado.
Afinal, aquela era apenas uma história… ou seria uma lembrança de algo que ela realmente viveu?
Karla Santos Matias
