A Escola Assombrada

Era uma escola localizada no interior de uma pequena cidade, conhecida por ser uma das melhores instituições de ensino da região. Alunos de cidades vizinhas e até de outros estados sonhavam em estudar ali, graças à excelente qualidade do ensino e à fama de seus professores.

Entretanto, nem sempre aquela escola foi lembrada apenas pelas boas lembranças. Para compreender o mistério que a cercava, era preciso voltar alguns anos no tempo. Naquela época, a escola estava em seu auge. Todos os dias, centenas de estudantes chegavam animados para assistir às aulas.

Em um primeiro dia de aula, todos os alunos estavam reunidos no pátio quando a diretora subiu ao palco para fazer um importante comunicado. A diretora respirou fundo e disse:

— Boa tarde, queridos alunos. Peço a atenção de todos, pois preciso dar um aviso muito importante.

O silêncio tomou conta do pátio.

Ela continuou:

— Nesta manhã, uma de nossas alunas desapareceu misteriosamente. Antes de seu desaparecimento, alguns estudantes afirmaram ter visto uma mulher muito alta, extremamente pálida, com longos cabelos escuros e olhos completamente negros vagando pelos corredores da escola.

Os alunos começaram a cochichar, assustados.

A diretora prosseguiu:

— Caso algum de vocês veja essa mulher, não tentem segui-la nem falar com ela. Afastem-se imediatamente e avisem um professor ou um funcionário da escola. Essa recomendação é para a segurança de todos. Muito obrigada pela atenção.

Depois do aviso, os estudantes voltaram para as salas, mas o clima já não era o mesmo. O medo havia tomado conta da escola. Entre os alunos estavam José, Noah, Maria e Carla, quatro grandes amigos conhecidos por sua curiosidade.

Assim que as aulas terminaram, reuniram-se na casa de José para conversar sobre o misterioso desaparecimento. José foi o primeiro a falar:

— Vocês acreditam nessa história da mulher de olhos negros?

Noah respondeu:

— Pode ser apenas uma lenda para assustar os alunos.

Maria, porém, discordou:

— Não acho. A diretora parecia realmente preocupada. Acho melhor ficarmos longe dessa história.

Enquanto os três conversavam, Carla pesquisava antigos jornais e documentos sobre a escola.

Depois de alguns minutos, ela arregalou os olhos.

— Pessoal… encontrei uma coisa muito estranha!

Todos se aproximaram.

Carla mostrou uma antiga reportagem que dizia que, anos atrás, mais de dez alunos haviam desaparecido ou sido encontrados mortos nas dependências da escola, sem que a polícia conseguisse descobrir o responsável pelos crimes.

Ela continuou pesquisando e encontrou outra informação ainda mais assustadora.

Segundo relatos antigos, durante algumas madrugadas, a escola voltava misteriosamente a funcionar. Era possível ouvir o toque do sinal, professores dando aula, alunos conversando e carteiras sendo arrastadas, mesmo com o prédio completamente vazio.

Um silêncio tomou conta da sala.

José então disse:

— Precisamos descobrir o que realmente acontece naquele lugar.

Maria respondeu imediatamente:

— Vocês ficaram malucos? Se tudo isso for verdade, entrar naquela escola pode ser muito perigoso.

Noah cruzou os braços e respondeu:

— É justamente por isso que devemos investigar. Nunca saberemos a verdade se ficarmos apenas imaginando.

Carla respirou fundo antes de dizer:

— Se formos, teremos de tomar muito cuidado. Há algo muito estranho acontecendo naquela escola… e acho que aquela mulher faz parte de tudo isso.

Depois de muita discussão, os quatro decidiram investigar a escola durante a madrugada, levando lanternas, cordas, celulares, câmeras e tudo o que pudesse ajudá-los.

Nenhum deles imaginava que aquela decisão mudaria suas vidas para sempre.

Naquela mesma noite, já passava da meia-noite quando José, Noah, Maria e Carla se encontraram em frente à antiga escola.

A neblina cobria o chão, e o vento fazia as árvores balançarem lentamente, produzindo um som que parecia um sussurro.

Enquanto caminhavam pela estrada de terra, viram uma enorme criatura escondida entre as árvores. Ela era alta, coberta por uma espessa pelagem negra, possuía longos braços, garras afiadas e dois olhos vermelhos que brilhavam na escuridão.

Nenhum dos quatro conseguiu identificar o que era aquela criatura. Assustados, permaneceram imóveis por alguns segundos.

José quebrou o silêncio:

Não façam barulho. Vamos seguir por outro caminho.

Sem discutir, todos obedeceram. Deram uma grande volta pela floresta e conseguiram chegar à escola sem serem percebidos pela criatura.

Ao se aproximarem do prédio, perceberam algo impossível.

Embora a escola estivesse abandonada havia anos, todas as luzes estavam acesas. Era possível ouvir o sinal anunciando o início da aula, professores escrevendo na lousa, alunos conversando e o som de cadeiras sendo arrastadas pelos corredores.

Noah olhou para os amigos e disse, assustado:

A Carla estava certa… A escola realmente funciona durante a madrugada.

Os quatro atravessaram lentamente o velho portão enferrujado.

Assim que entraram, o portão se fechou sozinho com um estrondo, fazendo todos se assustarem.

O corredor estava vazio.

Mesmo assim, os sons das salas de aula continuavam, como se centenas de pessoas ainda estudassem ali.

Enquanto caminhavam, as lanternas começaram a piscar, e a temperatura caiu repentinamente.

Foi então que uma figura surgiu atrás deles.

Era a misteriosa mulher de pele extremamente pálida, cabelos longos e negros que quase tocavam o chão e enormes olhos completamente escuros, sem qualquer brilho. Ela permaneceu imóvel por alguns segundos. Em seguida, abriu lentamente um sorriso assustador. Antes que alguém pudesse reagir, a mulher desapareceu e reapareceu diante de Noah e Maria.

Com um grito aterrorizante, ela envolveu os dois em uma sombra escura, fazendo-os desaparecer diante dos olhos de José e Carla. Tudo aconteceu em poucos segundos. Carla ficou completamente paralisada. José segurou sua mão e gritou:

Corre! Agora!

Os dois correram desesperadamente pelos corredores da escola. Enquanto fugiam, perceberam que as portas das salas estavam abertas. Dentro delas, espíritos de antigos professores davam aula para dezenas de alunos fantasmagóricos, que escreviam em seus cadernos sem sequer levantar a cabeça. Nenhum deles parecia perceber a presença dos dois jovens. Ao chegarem ao final do corredor, Carla ouviu uma voz sussurrando bem perto de seu ouvido:

Vocês nunca mais vão sair daqui…

Ela olhou para trás. A mulher estava novamente ali. Dessa vez, muito mais próxima. José puxou Carla e os dois continuaram correndo. Quando finalmente conseguiram alcançar o pátio, viram dezenas de espíritos de antigos estudantes caminhando lentamente, todos usando uniformes antigos e carregando livros envelhecidos.

Alguns olhavam para José e Carla como se pedissem ajuda. Foi então que Carla se lembrou de uma informação encontrada durante sua pesquisa. Ela disse, ofegante:

José… agora eu entendi!

José perguntou:

Entendeu o quê?

Carla respondeu:

A escola continua funcionando porque as almas dos alunos que morreram aqui ficaram presas neste lugar. Todas as madrugadas elas revivem o último dia de aula, sem conseguir descansar. Aquela mulher impede que elas partam… e transforma qualquer pessoa que entre aqui em mais um prisioneiro.

Nesse instante, os fantasmas começaram a apontar para a saída da escola. Pareciam tentar ajudá-los. José e Carla correram o mais rápido que puderam.

Quando atravessaram o portão principal, o prédio inteiro desapareceu diante de seus olhos, restando apenas um terreno vazio coberto por árvores e mato. Os dois ficaram sem acreditar no que haviam visto. Enquanto recuperavam o fôlego, olharam uma última vez para o terreno.

Entre as sombras, a mulher de olhos negros permanecia imóvel, observando-os. Ela sorriu lentamente. José segurou Carla pelo braço, e os dois correram sem olhar para trás. Dias depois, Carla voltou a pesquisar sobre a antiga escola. Foi então que descobriu uma última informação.

A mulher de olhos negros havia sido, muitos anos antes, uma antiga professora da escola. Consumida pela inveja e pela obsessão pelo poder, realizou um ritual sombrio que aprisionou as almas dos alunos e dos professores dentro daquele lugar para sempre.

Desde então, todas as madrugadas, a escola reaparecia exatamente como era antes da tragédia. E qualquer pessoa que entrasse naquele prédio corria o risco de jamais voltar. José e Carla nunca mais comentaram o assunto.

Porém, sempre que passavam perto daquele terreno durante a noite, podiam ouvir o toque do sinal, vozes de crianças estudando e o som de um giz escrevendo na lousa…

…como se as aulas nunca tivessem terminado.


Evelyn Monik Vital Lima

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