Em uma manhã chuvosa, no interior do Ceará, havia um pequeno vilarejo simples e humilde. Lá vivia um menino chamado Luiz. Ele tinha 14 anos, era baixo e gordinho, e sonhava em ser jogador de futebol profissional. Toda manhã estava na quadra ou no campo, treinando para realizar seu grande sonho, mesmo que as condições não fossem as melhores.
No sítio não havia time, nem treinador, e o menino também não tinha condições financeiras para entrar em uma escolinha. Mas Luiz se recusava a desistir do seu maior sonho, que era atuar nas categorias de base. Um sonho quase impossível para uma comunidade tão carente.
Apesar disso, o garoto passava por um momento difícil. Sua fraqueza emocional estava abalando tudo ao seu redor. Luiz sempre foi alegre, gostava de sorrir e brincar, mas ultimamente chorava por qualquer motivo. O sonho parecia cada vez mais distante, quase impossível de se realizar.
Luiz era humilde e educado, nunca quis desmerecer ninguém, mas as pessoas da vizinhança não acreditavam nele. Quando contava seu sonho, tornava-se motivo de risadas, pois diziam que no interior não havia nem o básico para formar um jogador.
Certa vez, o menino conversou com a mãe:
— Mamãe, um dia eu quero ser jogador de futebol, aparecer na TV e ajudar a nossa família — disse o jovem.
— Aqui é um lugar muito difícil para isso, meu filho. Mas com disciplina e dedicação você pode construir um futuro brilhante. Você é o meu maior orgulho — respondeu a mãe.
Luiz agradecia todos os dias pelo apoio da mãe. Muitos jovens dali não tinham apoio algum, nem mesmo de suas famílias. Naquela comunidade, os sonhos quase sempre eram vistos como perda de tempo, e principalmente quando o sonho era ser atleta profissional.
As risadas e as palavras de descrédito o feriam. Aos 14 anos, o garoto já sofria com sinais de depressão. Seu psicológico estava abalado. Luiz tinha medo de não conseguir mostrar o que sabia fazer de melhor. A tristeza tomava conta dele, e a solidão era sua única companhia. Ele já não queria sair de casa, afastou-se de Deus e chegou a pensar em desistir da vida.
Mas um dia, um menino da periferia se aproximou:
— Oi, meu nome é Júnior. Vim da favela, mas agora moro aqui com a minha tia. Prazer! Qual é o seu nome? — Perguntou o adolescente.
— Oi… meu nome é Luiz. O prazer é todo meu — respondeu o garoto, ainda com tristeza.
Júnior, percebendo sua dor, perguntou o que estava acontecendo. Luiz contou sua história. O novo amigo se comoveu e disse:
— Não desista, Luiz. Se entregue a Deus e deixe Ele agir. Na hora certa, Ele vai abrir os caminhos para você.
Pela primeira vez em muito tempo, Luiz sorriu. Decidiu seguir em frente com seu sonho, mesmo que ninguém acreditasse. Ele descobriu que: “Vencer é bom, mas vencer quando duvidam de você é muito melhor. ”
