Madrugada

Em uma madrugada fria e chuvosa, Ana e Beatriz resolveram explorar uma escola abandonada, conhecida pelos moradores da cidade por causa das estranhas histórias que cercavam o lugar. Diziam que, durante a noite, era possível ouvir vozes vindas das salas de aula e passos ecoando pelos corredores vazios.

À meia-noite, as duas saíram de casa em direção à escola, levando apenas lanternas e muita curiosidade. Quando chegaram, decidiram entrar pelo velho portão, que estava coberto de ferrugem e rangia a cada movimento.

Assim que atravessaram o portão, um forte vento começou a soprar, e ele se fechou sozinho, produzindo um estrondo que ecoou por todo o pátio.

Assustada, Ana disse:

Bia, vamos voltar! Tenho a impressão de que não deveríamos estar aqui.

Beatriz respondeu, tentando demonstrar coragem:

Deixa de ser medrosa! Foi só o vento. Vamos descobrir o que existe aqui dentro.

As duas continuaram caminhando pelos corredores escuros, iluminando o caminho com as lanternas. Em determinado momento, resolveram se separar para explorar o prédio mais rapidamente.

Ana entrou na Sala 1, enquanto Beatriz seguiu para outra sala do corredor.

Ao chegar à sala, Ana ouviu um estranho barulho de carteiras sendo arrastadas, embora não houvesse ninguém ali. Assustada, saiu correndo. No meio do corredor, deparou-se com uma figura completamente vestida de preto.

Com as mãos trêmulas, apontou a lanterna para o desconhecido.

Quando a luz iluminou seu rosto, Ana ficou paralisada. Era um professor de sua escola, porém havia algo muito errado. Seus olhos brilhavam em um intenso tom avermelhado, sua pele era extremamente pálida e suas roupas negras pareciam absorver toda a luz ao redor.

Ela tentou fugir, mas já era tarde demais. O professor caminhou lentamente até ela e a segurou pelo braço com uma força surpreendente. Em seguida, conduziu Ana até uma sala onde dezenas de alunos permaneciam imóveis, com os olhos vermelhos e expressões vazias, como se estivessem presos em um eterno silêncio.

Ana gritava desesperadamente, mas nenhum som parecia sair da sala, como se o lugar impedisse qualquer pedido de socorro.

Enquanto isso, Beatriz ouviu os gritos da irmã e correu pelos corredores à sua procura.

No caminho, também encontrou o misterioso professor, que surgiu das sombras e disse, em um tom calmo e assustador:

A aula já vai começar. Venha se sentar.

Beatriz tentou fugir, mas, misteriosamente, todas as portas do corredor se fecharam sozinhas, impedindo qualquer saída.

De repente, uma forte tontura tomou conta dela. Tudo ficou escuro, e ela perdeu os sentidos.

Quando despertou, percebeu que estava na mesma sala onde Ana se encontrava, cercada pelos estranhos alunos.

As duas irmãs se abraçaram, sem saber como escapar daquele pesadelo.

Foi então que Ana se lembrou de uma antiga história contada por sua avó: dizia-se que nenhum espírito podia prender alguém que enfrentasse o medo com coragem.

As duas fecharam os olhos, deram as mãos e começaram a gritar com toda a força, recusando-se a acreditar nas ilusões que viam.

Subitamente, a sala começou a tremer, as janelas se abriram violentamente e uma intensa luz do amanhecer invadiu o ambiente.

Quando abriram os olhos novamente, estavam do lado de fora da escola.

Já era manhã.

As duas correram para casa, ainda assustadas, mas aliviadas por estarem vivas.

Desde aquele dia, nunca mais voltaram à escola abandonada. Também aprenderam que a curiosidade pode ser importante, mas jamais deve ser maior do que a prudência. Afinal, alguns mistérios existem por um motivo e, às vezes, é melhor deixá-los onde estão.

Maria Heloísa Silva Nascimento

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