Em uma vila muito, muito grande, havia união, confraternidade e amizade. Os moradores da Vila de Aurora eram felizes, pois todos viviam em harmonia e a paz reinava por lá. Até que, um dia, um homem misterioso chegou à vila trazendo consigo uma maré de desgraças. Ele amaldiçoou a pacífica comunidade, decretando:
— “Todo aquele que não se curvar perante mim morrerá.”
O homem deu três dias para que o povo de Aurora lhe entregasse a vila.
No início, os moradores resistiram. Mas, após presenciarem inúmeras pragas assolando suas casas e colheitas, cederam. No terceiro dia, Aurora foi entregue. A partir daí, surgiram brigas entre os habitantes sobre a decisão, e a união se transformou em discórdia. Morte e separação começaram a reinar.
Então, o homem mau foi até o centro da vila e proclamou:
— “Quem está comigo, fique à esquerda. Os que estão contra mim, fiquem à direita.”
Movidos pelo medo, a maioria ficou à esquerda; poucos, firmes na resistência, permaneceram à direita.
Foi então que, misteriosamente, um enorme muro ergueu-se do chão, separando os dois lados. Os que estavam à direita tentaram recuar, mas já era tarde. O solo de pedra transformou-se em barro e, logo, em terras férteis cortadas por águas turbulentas. Assim, as duas partes tornaram-se nações distintas: à esquerda, os Vimentes; à direita, os Vizentes. E a paz da antiga Aurora desapareceu.
Sob a tirania do homem mau, o caos se espalhou entre ambos os lados. Matança, discórdia e miséria corroíam a vida de todos.
Foi então que um jovem Vizente chamado João decidiu que daria um fim àquela era sombria. Ele dedicou anos ao estudo de livros, pergaminhos e lendas antigas, até descobrir uma forma arriscada de restaurar a paz.
Convencendo seu povo, João liderou a construção secreta de uma ponte escondida num beco fora da vista dos guardas.
Quando a ponte ficou pronta, ele e seus aliados atravessaram-na e partiram para a batalha contra o tirano. Derrotando seus seguidores um a um, João finalmente enfrentou o próprio homem mau.
Ao retirar seu manto, o vilão revelou-se não mais humano, mas uma criatura das trevas. João, firme na fé e apoiado por seu povo, conseguiu expulsar a criatura e seus cúmplices. Entre destroços e lágrimas, os habitantes de ambos os lados começaram a reconstruir a vila que um dia fora Aurora.
são solitárias porque constroem muros em vez de pontes.”
Izael da Silva Santos.
