Em uma pequena vila, vivia um menino chamado Lucas. Nessa vila, as pessoas não pareciam felizes nem satisfeitas com suas vidas. Era um lugar simples e populoso, mas Lucas sempre foi um menino cheio de sonhos.
Todas as noites, ele subia até uma montanha para observar as estrelas e se imaginar realizando seus sonhos. Dessa montanha, conseguia enxergar um enorme muro que cercava a vila por completo. Mesmo sendo alto, Lucas conseguia ver, além dele, paisagens diferentes e algumas casas que contrastavam com as da sua vila.
Curioso, pediu à mãe que fossem até aquele lugar além do muro. Mas sua mãe recusou. Disse com firmeza que aquele lugar não era para eles. Ainda assim, a curiosidade de Lucas foi maior. Reuniu alguns amigos e juntos decidiram descobrir o que havia do outro lado.
Ao atravessarem o muro por um trecho abandonado, ficaram maravilhados: ao contrário de sua vila, aquele lugar não era cercado por barreiras, mas interligado por pontes que levavam a paisagens e espaços surpreendentes, quase surreais.
Enquanto exploravam, uma menina chamada Ana os abordou, surpresa:
— Vocês realmente vieram do outro lado do muro? — Perguntou.
Diante da confirmação, ela começou a contar uma história que ouvira desde pequena. Disse que, segundo os mais antigos, as pessoas do lado do muro não acreditavam em sonhos, achavam que sonhar era perda de tempo.
Ana explicou que, há muito tempo, as duas vilas eram uma só. Mas houve quem quisesse dividi-las, acreditando que separados teriam uma vida melhor. Então, parte da vila ergueu muros ao redor de si — para se proteger, se isolar e evitar mudanças. A outra parte, porém, preferiu construir pontes, pois acreditava que com pontes, é possível abrir caminhos e construir sonhos.
Lucas ficou encantado com o lugar e com a história. Ao voltar para sua vila, sentiu que precisava fazer algo. Tentou convencer os moradores de que havia um mundo além do muro — um mundo onde poderiam acreditar em seus sonhos, crescer e mudar de vida.
Aos poucos, os moradores começaram a perceber que os muros não os protegiam — os aprisionavam. Eles limitavam a visão, os caminhos e, sobretudo, os sonhos. Já as pontes levavam a novos horizontes. Com pontes, é possível alcançar lugares além do que se imagina.
Jefferson Moreira da Silva.
