Tudo começou no início de uma
madrugada, quando uma antiga escola abandonada voltou a funcionar
misteriosamente.
Anos antes, em 2002, aconteceria a grande inauguração daquele colégio, considerado o maior da região. Porém, pouco antes da cerimônia começar, o céu escureceu de forma inexplicável, um vento gelado tomou conta do lugar e todas as luzes se apagaram ao mesmo tempo.
Assustadas, as pessoas abandonaram a escola às pressas. Dias depois, novos acontecimentos inexplicáveis passaram a ocorrer. Objetos desapareciam, sombras eram vistas pelos corredores e operários se recusavam a continuar trabalhando. Sem explicações, a inauguração foi cancelada, e, alguns meses depois, a escola foi definitivamente abandonada.
Os anos passaram. O prédio envelheceu, as paredes ficaram cobertas de musgo e as janelas se quebraram com o tempo. Mesmo assim, os moradores da vila começaram a espalhar um estranho boato. Diziam que, todas as madrugadas, exatamente à meia-noite, a escola voltava a funcionar. As portas se abriam sozinhas. As luzes acendiam.
Era possível ouvir professores dando aula, crianças conversando, carteiras sendo arrastadas e o toque de uma antiga campainha escolar, mesmo sem existir ninguém lá dentro. Além disso, cartazes surgiam misteriosamente nos murais, livros apareciam abertos sobre as carteiras e uma enorme sombra caminhava pelos corredores antes de desaparecer na escuridão.
Ninguém tinha coragem de se aproximar. Certa madrugada, os moradores da vila acordaram assustados. Gritos ecoavam pelas ruas, misturados com vozes de pessoas que ninguém conhecia. Ao olharem pelas janelas, perceberam figuras escuras caminhando lentamente entre as casas. Apavorados, todos fecharam portas e janelas. Poucos segundos depois, alguém começou a bater nas portas das casas.
Toc… Toc… Toc…
Ninguém respondeu. Na manhã seguinte, cada morador encontrou uma folha presa à porta de casa. Era uma lista de chamada contendo o nome de várias pessoas da vila. Ninguém compreendeu o significado daquela lista. Na madrugada seguinte, tudo voltou a acontecer. As luzes da escola acenderam e começaram a piscar.
Logo depois, toda a energia da vila foi interrompida, mergulhando tudo em uma escuridão absoluta. Mais uma vez, ouviram-se batidas nas portas. Desta vez, porém, apenas uma casa foi escolhida.
Era a residência de número 202.
Depois de alguns minutos de silêncio, uma criança que morava naquela casa resolveu abrir a porta. Ela viu algo tão assustador que nem sequer conseguiu gritar. Na manhã seguinte, os vizinhos chamaram a polícia.
Ao entrarem na casa, os policiais encontraram todos os moradores mortos, sem qualquer sinal de violência, sangue ou luta. Parecia que simplesmente haviam perdido a vida ao mesmo tempo. Entretanto, o corpo da criança havia desaparecido.
Após horas de buscas, ela foi encontrada deitada no centro do corredor principal da antiga escola, como se estivesse esperando alguém. A polícia isolou completamente o prédio. Investigadores, peritos e dezenas de policiais iniciaram uma grande operação. Porém, durante a inspeção, o céu escureceu repentinamente.
Um vento extremamente forte invadiu a escola. As portas bateram sozinhas. Os corredores mergulharam na escuridão. E, em questão de segundos, vários policiais desapareceram sem deixar qualquer vestígio.
Quando a luz voltou, tudo parecia normal novamente. A escola permanecia vazia. Nenhum sinal dos desaparecidos foi encontrado. Mesmo cercada pela polícia, a escola continuava despertando medo. Inconformados, alguns moradores decidiram investigar o local por conta própria.
Na madrugada seguinte, atravessaram o portão principal. O silêncio era absoluto. Enquanto caminhavam pelos corredores, ouviram vozes vindas da Sala 202. Pareciam crianças respondendo à chamada de um professor invisível. Curiosos, aproximaram-se lentamente.
De repente…
A porta da sala se abriu sozinha. Uma voz grave ecoou pelo corredor:
— “Vamos iniciar a chamada.”
Em seguida, um a um, os nomes dos moradores começaram a ser pronunciados. Cada vez que um nome era chamado, uma voz desconhecida respondia:
— “Presente.”
Quando todos correram para fugir, as portas da escola se fecharam violentamente. Sombras cobertas por uma névoa escura surgiram das paredes. Em poucos segundos, todos desapareceram, sem deixar qualquer rastro. Na manhã seguinte, a vila estava quase completamente vazia. Pouquíssimos moradores restavam. Ninguém sabia explicar o desaparecimento de tantas pessoas. Na porta das casas surgiu novamente uma lista de chamada.
Ao final dela havia uma frase escrita com tinta escura: “Enquanto o último nome não responder à chamada, a escola continuará aberta.”
E o último nome…
Era o seu.
Na madrugada seguinte, quando tudo ficou em silêncio, uma voz ecoou ao longe, vinda da antiga escola:
— “Presente?”
Se alguém responder…será o próximo a desaparecer.
Yarla Maria Fernandes Bezerra da Silva
