A Melodia da Saudade

No centro de uma pequena floresta de árvores verdes e reluzentes, havia um pequeno sítio de gramas verdes e baixas. No meio do sítio, tinha uma casinha pequena de paredes azuladas e desgastadas pelo tempo. Telhas comuns, mais novas, no alpendre, uma cadeira de balanço e, ao lado, um banco de madeira com um pequeno rádio em cima. Deitada na grama, uma antiga bicicleta. Lá era o lar de um senhor cujo nome era Joseph, tinha 75 anos, homem bom e gentil que morava sozinho, pois sua esposa havia falecido há dois anos.

Joseph tinha um sonho: conseguir comprar um saxofone para aprender a tocar a música favorita de sua falecida esposa, que não conseguiu resistir ao câncer. Mas ele não tinha condições de comprar o instrumento. Então, todos os dias pegava sua bicicleta e pedalava até a cidade de Thomas View. Lá, ele gostava de explorar as lojas de música para apreciar e entender melhor o tão sonhado saxofone.

Na loja Casa do Som, trabalhava William, um jovem rapaz de 22 anos. Ele achava interessante o fato de um senhor vir de muito longe até a cidade de bicicleta e sempre olhar os instrumentos, mas sempre com uma expressão de tristeza.

Então, um dias, William criou coragem e falou: “Boa tarde! O que o senhor deseja?” Então, Joseph respondeu: “Boa tarde! Meu desejo é um sonho quase impossível, mas um sonho que eu nunca vou abandonar. Mas obrigado por me atender; você me parece um bom rapaz.”

Joseph foi embora, e William ficou pensando nessas palavras por vários dias. Depois de uma semana, Joseph voltou à loja e continuou a olhar os saxofones. William, no balcão, apenas observava o jeito do pequeno senhor, até que ele veio em direção ao balcão e falou:

— Boa tarde, quanto custa aquele saxofone?

— 2500 reais, senhor. — Respondeu William.

Então, Joseph pegou uma jarra de plástico com moedas e algumas notas e falou:

— Aqui está todo o dinheiro que consegui juntar. Espero que dê.

William pegou a jarra e levou para uma sala da loja e começou a contar as moedas e notas. Até que, depois de mais de 30 minutos, ele acabou de contar e voltou para o balcão. Chegando lá, William botou a jarra no balcão e, antes dele falar, Joseph disse:

— Por favor, meu rapaz, me diga se deu a quantidade certa. Isso é tudo que tenho para realizar meu sonho.

William, percebendo a cara de tristeza do pobre senhor, sentiu um aperto no coração ao falar:

— Desculpe por dizer isso, senhor, mas o dinheiro que o senhor me deu infelizmente não dá o total. Deu 1300 reais. Mas se o senhor tiver um cartão de crédito ou alguém que o senhor conheça tenha, eu posso dar um jeito.

Joseph, quando escutou a última palavra, disse:

— Obrigado! Tenho um cartão em casa. Vocês fecham que horas?

— 5 horas da tarde, mas eu espero o senhor. — respondeu William.

Então, Joseph pegou sua bicicleta e foi para casa. Enquanto William esperava Joseph voltar, seu celular tocou e, quando ele atendeu, ouviu uma voz falar:

— Boa tarde, aqui é sua mãe. Meu filho, tenho uma ótima notícia: a faculdade que você quer tanto ir me enviou uma carta falando que você foi aceito. Agora só precisa vir para cá. Vou te mandar o dinheiro da passagem e mais um pouco para você comprar alguma coisa. Te espero aqui.

Então, William ficou muito feliz e arrumou as malas. Quando acabou, Joseph chegou com o cartão e o entregou a William. Ele o pegou e, quando olhou, estava escrito que era um cartão vale-alimentação do ano 1960.

Joseph olhou para William e falou:

— Então, meu jovem, deu o valor certo?

William, percebendo a cara de felicidade do pobre senhorzinho, respirou fundo para não chorar e falou:

— Não deu, senhor. Não deu todo o valor. Desculpe.

— Tudo bem. Já imaginei que era tarde para um pobre velho como eu realizar tão grande sonho. — respondeu Joseph.

Então, ele pegou a jarra e caminhou em direção à saída da loja. Quando o celular de William tocou, era o dinheiro que sua mãe havia lhe mandado, no valor de R$ 1200. William, olhando para aquele valor, que era para realizar seu sonho de ir para faculdade, mas sabendo que era o valor que faltava para Joseph comprar o saxofone, pensou bem e falou:

— Espere, senhor! Eu chequei novamente e deu valor certinho!

Joseph, chorando, recebeu o saxofone, agradeceu e foi para casa.

Passados mais de 5 anos, William recebeu uma ligação de uma mulher que falou:

— Boa tarde, eu sou uma conhecida do senhor Joseph. Eu vim avisar que, nessa tarde, Joseph faleceu. Mas deixou em cima da mesa um bilhete e um antigo celular. No bilhete, falava que era para quem encontrasse o bilhete ligar para William, da loja de música, e mandar um vídeo que estava no antigo celular para você.

William, depois de muitos minutos, abriu o vídeo. No vídeo, havia Joseph sentado em uma cadeira, segurando o saxofone, e falou:

— Oi, espero que quem esteja vendo este vídeo seja você, William. Quero agradecer pelo favor que você me fez. Eu sei que o cartão que lhe entreguei era um vale-alimentação. Eu sei que você abriu mão de um sonho seu por um senhor que você mal conhecia. Eu só tenho a agradecer e, como não tenho o que retribuir, eu passei a minha herança, que é meu pequeno sítio, para você. Espero que cuide bem ou venda para alguém para você conseguir ir para a faculdade. Obrigado e adeus.

William, escutando aquilo, desabou em lágrimas. Depois de alguns dias, William encontrou um comprador e vendeu o sítio de sua herança para poder ir para a faculdade, mas com grande ensinamento que é ajudar e respeitar a todos.

Luiz Henrique Silva Nascimento.


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