Lucas e o Medo da Água

Lucas tinha 14 anos e morava em uma vila cercada por rios e lagos. Ele adorava pescar, correr e brincar com os amigos, mas escondia um segredo: tinha pavor da água. Nunca havia aprendido a nadar e evitava qualquer situação que o colocasse perto do lago.

Um dia, a vila inteira se preparava para o grande torneio de pesca. Todos falavam sobre o evento, e Lucas sentiu a empolgação no ar. Ele queria participar, mostrar que também era bom na pesca. No entanto, quando soube que a competição aconteceria no lago, sentiu um frio na barriga.

— Se eu ficar no barco, nada vai acontecer… é só não cair, pensou, tentando se convencer.

O torneio começou, e Lucas estava se saindo bem. Havia conseguido pescar dois peixes e começava a se sentir mais confiante. Mas, de repente, um menino esbarrou no barco dele, e tudo aconteceu rápido demais. A embarcação balançou violentamente, e antes que pudesse se segurar, Lucas sentiu o mundo girar. O impacto gelado da água o envolveu por completo.

O pânico tomou conta. Seu coração disparou, e ele começou a agitar os braços desesperadamente. A água parecia sugá-lo para baixo. Tentava gritar, mas só engolia mais água. O desespero aumentava a cada segundo.

Foi então que uma voz atravessou o caos.

— Lucas! Segura aqui! Gritou Pedro, já nadando em sua direção.

Lucas sentiu uma mão firme agarrar seu braço. Ele se agarrou ao amigo com todas as forças, sentindo o desespero diminuir um pouco. Pedro nadou com dificuldade, puxando-o até a margem. Quando finalmente tocaram o solo firme, Lucas caiu de joelhos, tossindo e respirando fundo, ainda trêmulo.

Pedro se ajoelhou ao seu lado, preocupado.

— Lucas… você não sabe nadar?

Lucas abaixou a cabeça, envergonhado. Esperava que Pedro zombasse dele, como outros garotos fariam. Mas, para sua surpresa, Pedro apenas sorriu.

— Ei, não tem problema. Eu posso te ensinar! Nadar não é tão difícil quanto parece.

Lucas olhou para o lago, ainda sentindo o medo no peito. Mas, ao mesmo tempo, percebeu algo diferente: pela primeira vez, enxergava a água não como um inimigo, mas como um desafio a ser superado.

Respirou fundo e esboçou um pequeno sorriso.

— Vamos tentar.

Francisco Gabriel de Lima Silva.



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