Sonho Realizado em Harvard

Londres, Inglaterra. Lá estava Carson Smith, dirigindo sua BMW aos plenos 21 anos, indo em direção ao aeroporto da cidade para realizar um dos seus maiores sonhos: cursar medicina em Harvard. Ao entrar no aeroporto, Carson foi derrubado ao chão.

— Desculpa, cara, isso está uma loucura!

Carson teve dificuldades para se levantar, pois havia muitas pessoas com carrinhos e outras correndo para não perder o voo, já que era época de volta às aulas. Quando finalmente se ergueu, recebeu uma ligação de vídeo de sua mãe, Helen Smith.

— Já cheguei ao aeroporto! Assim que entrei, já fui parar no chão, acredita, mãe?

Carson começou a falar, pois toda vez que sua mãe ligava, ela não esperava ninguém falar primeiro. Por esse motivo, ele percebeu algo estranho. Quando estava prestes a chamá-la novamente, uma voz, que ele imediatamente reconheceu como sendo de outra pessoa, começou a falar:

— Oi, Carson. Ouvi muito sobre você. Um excelente jogador de beisebol, a propósito, não é mesmo? Inclusive, você é muito bonito. Adorei esse corte de cabelo e esses olhos… nem se fala. Você parece muito com aquele ator Damian Hardung. Conhece?

— Mas que falta de educação a minha! Esqueci de me apresentar. Me chamo Jackson, muito prazer.

— Carson, sabe qual é o meu passatempo favorito? Cortar carne… se é que você me entende — ironizou ao se apresentar, fazendo uma ameaça indireta.

Jackson parecia ter cerca de quarenta anos, era alto e tinha uma cicatriz que atravessava um dos olhos.

— Eu estou pouco me importando para o que você gosta e quem você é. Apenas passe o celular para minha mãe!

— Por que você está com o celular dela? Onde ela está?

— Está surdo, é? Espera… O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO COM A MINHA MÃE, SEU DESGRAÇADO?!

Enquanto Carson falava, percebeu uma movimentação na tela. Ele ainda não tinha visto sua mãe até aquele momento. Quando Jackson puxou algo para a frente da câmera, Helen apareceu, com um corte profundo na lateral esquerda do nariz, sem dois dentes e com o maxilar aparentemente quebrado. Ela tentava falar, mas parecia incapaz.

Nesse momento, Carson se exaltou e começou a sair do aeroporto, mas foi interrompido por uma mulher jovem. Imediatamente, ele sentiu algo pressionando seu abdômen por cima do casaco. A mulher fez um sinal para ele olhar para o celular. Quando olhou, viu Jackson segurando uma arma apontada para a cabeça de sua mãe. A mulher se afastou imediatamente.

— Se eu fosse você, ficaria bem paradinho. Senão, sua mãe vai conhecer o céu da forma mais dolorosa que existe.

— E a arma que estava no seu abdômen? Vai estar no meio da sua cabeça.

— Faço questão de te matar assistindo ao esquartejamento da sua mãe.

— Então, vou ser bem direto, porque já estou sem paciência.

— O que eu quero de você é simples: em quinze minutos, vá até a loja da Gucci e pegue uma mala preta com uma fita azul.

— Ligo com mais informações.

— Nem pense em sair desse aeroporto. Se fizer isso, sua mãe morre na sua frente. Faço isso com o maior prazer.

Mesmo aterrorizado, Carson tentou sair do aeroporto, mas a mesma mulher que, instantes atrás, havia pressionado uma arma contra ele, voltou a bloqueá-lo. Com um tom ameaçador, ela disse:

— Eu vou te avisar só uma vez. Meu marido, no nosso trabalho, é conhecido como “aquele que mata sem dó”. Até eu fico impressionada com a forma como ele mata. Ele ama provocar as suas vítimas e escutar os gritos de sofrimento. É como música para os ouvidos dele.

Ela pegou o celular e fez uma chamada. Assim que a ligação foi atendida, ela virou a tela para Carson. Ao ver a imagem, ele entrou em choque. Depois de alguns segundos, conseguiu falar:

— Por que vocês estão fazendo isso? Eu nunca fiz mal a ninguém! Por que estão machucando as pessoas que eu mais amo? Minha mãe e a Annie?! O que vocês querem?!

Carson estava apavorado, mas precisava entender o que estava acontecendo. Primeiro, haviam machucado sua mãe. Agora, sua namorada.

— Nós só precisamos de alguém para colocar aquela mala no avião. Não é nada pessoal. Na verdade, nem era para ser você. Mas as pessoas só fazem o que queremos quando machucamos quem elas amam. Está na cara, não está?

A mulher se afastou, mas antes pressionou a arma contra a cintura de Carson. Assim que ela saiu, ele começou a tremer e correu de volta para dentro do aeroporto. Esbarrava nas pessoas, mas não se importava. Sua mãe e sua namorada estavam em perigo. Ele não podia deixar o medo paralisá-lo. Precisava agir.

Ele chegou à loja e viu uma mala preta perto dos sapatos. Aproximou-se, pegou a alça e, nesse instante, seu celular vibrou. Olhando diretamente para uma câmera de segurança próxima, atendeu a chamada.

— Bom garoto. Você realmente ama sua mãe e sua namorada, e deveria mesmo, porque já sabe o que vai acontecer se não cooperar.

— Agora, vá até o guichê 8 e passe naturalmente.

— A passagem do avião está na lateral da mala.

Enquanto Carson obedecia, no bairro de Westminster, a casa número 179 estava cercada pelo FBI. A agente Laura, disfarçada como vendedora ambulante, bateu à porta. Jackson atendeu, mas, percebendo a tentativa de enganação, agarrou Laura e pressionou uma faca contra seu pescoço.

— Nunca! O FBI já tirou muito de mim. Eu não vou deixar tirarem isso!

Enquanto Jackson falava, vinte e três atiradores se posicionavam ao redor.

— Se você não soltá-la, seremos obrigados a atirar.

— Eu só a solto quando aquele garoto entrar no avião e decolar. É melhor deixarem ele embarcar, senão ela MORRE!

Laura gritou quando Jackson pressionou a faca contra sua pele, fazendo o sangue escorrer.

— AGORA! — Ordenou o supervisor.

Cinco disparos atingiram Jackson, que morreu no mesmo instante.

No aeroporto, Carson foi cercado pela polícia e pelo FBI. Naquele momento, ele caiu de joelhos e começou a chorar. De alívio. 15 de agosto de 2020. Com uma semana de atraso, Carson finalmente teve seu primeiro dia de aula em Harvard, deixando sua mãe muito orgulhosa.

Três anos depois, já no terceiro ano de medicina, casou-se com Annie Sullivan. Durante a cerimônia, lembrou-se do dia mais aterrorizante de sua vida. Mas também do dia em que tomou a melhor decisão: pedir Annie em casamento.

Geísa Silva Mascarenhas.

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