Quando o Coração Derruba Muros

Na cidade onde eu cresci, uma cidade cinza e silenciosa, os muros sempre falaram mais alto do que as pontes. As casas tinham muros altos, cercas bem fechadas e olhares desconfiados. Mas nunca questionei o porquê, pois eu tinha apenas uma mente inocente.

Eu não entendia essa questão de escolher caminhos. Disseram que era uma escolha simples: você escolhe muros ou pontes. Mas, quando você reflete, percebe que não se trata apenas de uma escolha simples, e sim de uma decisão que pode mudar mais do que apenas a sua vida.

Certo dia, conheci alguém diferente. Essa pessoa era baixa, linda, de olhos castanhos e cabelos levemente ondulados. Ela não havia escolhido nem muros nem pontes, pois não entendia do que se tratava. Falava com todos, sorria para todos, pois não conhecia essa ideia de caminhos divididos.

Com o tempo convivendo com essa pessoa, percebi que minha maior barreira era a que eu próprio havia criado. Aos poucos, fui derrubando essa barreira, passo a passo, até me tornar uma pessoa mais feliz — graças a esse alguém.

Depois de um tempo, expliquei a ela o que significavam os muros e as pontes.

Disse que muros representam medo e isolamento, e que pontes representam conexão e empatia.

Ela entendeu, mas não deixou de ser a pessoa alegre que sempre foi, mesmo antes de saber disso.

Eu e essa pessoa tínhamos várias conversas para passar o tempo. A gente conversava sobre o futuro, sobre o que queríamos que acontecesse em nossas vidas. Com essas conversas, me aproximei ainda mais de quem mudou minha vida — e me faz feliz até os dias de hoje.

Com tudo isso, consegui construir pontes e ajudar na transformação da vida de alguns amigos, assim como transformaram a minha.

Agora, todos os meus colegas e amigos são quase sempre alegres — porque nem tudo são flores. Sempre acontece algo ruim ou desconfortável com a gente…

“Ela me ensinou, sem saber, que os melhores caminhos são feitos de passos dados em direção ao outro — mesmo quando o medo grita, mesmo quando o mundo levanta muros.”

Paulo Henrique Alves Pereira.

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