A Lua o Mudou, o Amor o Salvou

Ninguém nunca percebeu Scott de verdade. Ele era aquele tipo de menino que passava pelos corredores da escola como quem pede licença até ao próprio coração. Sempre achando que era invisível, que não chamava atenção, que não tinha nada de especial. Jogava lacrosse mais por insistência do Stiles, seu melhor amigo desde sempre, do que por talento. E, no fim do dia, quando chegava em casa, deitava-se na cama pensando que a vida talvez fosse sempre daquele jeito: segura demais para ser emocionante, vazia demais para ser feliz.

Até a noite da mata.

Foi numa dessas noites estranhas, silenciosas demais, quando o ar parecia segurar a respiração. Scott foi atrás de um barulho, mais por curiosidade boba do que por coragem. Um rosnado, um vulto, o medo queimando por dentro, o coração quase saltando do peito. A mordida veio rápida e ardida, deixando uma dor que parecia não ser só no corpo, mas também na alma. Depois disso, apenas a escuridão.

Quando acordou, nada era igual. O mundo estava mais vivo, mais intenso. Ele sentia cheiros, emoções, batimentos. O corpo estava mais forte, a mente confusa, e tudo parecia fora do lugar. E quando a lua cheia surgiu no céu, Scott entendeu que tinha perdido o controle… e, junto dele, a vida simples que conhecia.

Ser lobisomem não era só sobre força. Era sobre medo. Sobre segurar o monstro enquanto o coração insistia em sentir demais. Scott vivia dividido entre o que era e o que sentia, entre o instinto e o desejo de continuar sendo bom, de não se perder completamente na própria fúria.

Foi então que Allison entrou de vez na vida dele.

Ela não chegou com promessas nem certezas. Chegou com olhar firme, sorriso contido e uma presença que acalmava até a parte mais selvagem dele. Com ela, Scott sentia algo diferente — não era só paixão, era cuidado. Era vontade de proteger, mesmo sabendo que era ele quem podia machucar. Amar Allison virou um risco que ele aceitou correr. Porque, quando ela segurava sua mão, o mundo ficava mais silencioso, e o lobo, por um instante, descansava.

E, quando tudo parecia demais, tinha o Stiles. Sempre ele. Com piadas fora de hora, planos malucos e uma lealdade que não pedia explicação. Uma amizade que salva, que segura quando a raiva sobe, que lembra quem você é quando você esquece.

Scott aprendeu que amar dá medo. Que se importar machuca. Que proteger alguém significa se ferir às vezes. Mas também aprendeu que o amor podia ser âncora, que a amizade podia ser abrigo, que nem todo monstro nasce para destruir.

Entre noites de lua cheia e manhãs comuns demais, Scott seguiu. Meio humano, meio lobo, completamente apaixonado. Errando, tentando, recomeçando. Porque amar Allison o fazia querer ser melhor. Porque Stiles o lembrava, todos os dias, que ele não estava sozinho.

E, no fim, Scott entendeu: a verdadeira força não vinha das presas nem da fúria. Vinha do amor que ele escolheu sentir, mesmo quando tudo dizia para fugir.

Sabrina da Silva Oliveira

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