Entre Sonho e Terra

Era só mais um primeiro dia de aula para Maya. Ela, naquele momento, estava a caminho da escola com seu pai, Julian Alonso. Como em toda manhã, escutavam música e conversavam animadamente no carro.

— Filha, hoje vou te buscar mais cedo — disse Julian, com um tom misterioso.
— Por quê? Hoje tenho prova de matemática. Não posso sair cedo — respondeu Maya, confusa.
— Já falei com o diretor. Você vai fazer a segunda chamada na próxima semana.
— Pai… o que você está aprontando?

Julian sorriu e respondeu:

— Eu só preciso te mostrar uma coisa que o seu avô queria muito que você visse.

Agora vá. Tenha um ótimo primeiro dia. Te amo, filha.
— Está bem. Te amo, pai. Até logo.

Maya desceu do carro com a mochila nas costas e entrou no colégio. Caminhou pelos corredores até encontrar a sala do 3º ano A, onde se sentou na primeira carteira, ao lado da porta.

Logo depois, uma mulher entrou na sala apressadamente, carregando livros e uma bolsa.

— Bom dia, sou a professora Luana Alves, professora de Inglês. Quero que vocês se apresentem: digam o nome completo, idade, o que gostam de fazer e seu livro favorito — tudo em inglês.

Ela colocou suas coisas sobre a mesa e olhou para a turma.

— Ok, ninguém quer se apresentar por vontade própria? Então eu escolho… você, perto da porta.

Maya sentiu um frio na barriga. Olhou ao redor nervosa, mas se levantou e começou:

— My name is Maya Alonso. I’m eight years old. I like to play in the treehouse with my father, and my favorite book is Around the World. (Me chamo Maya Alonso, tenho oito anos, gosto de brincar na casa da árvore com meu pai e meu livro favorito é “A Volta ao Mundo”).

A manhã seguiu normalmente, mas para Maya, o tempo parecia não passar. Ela não via a hora de o pai buscá-la. Estava nervosa. Seu avô sempre fora uma figura distante, e ela não conseguia imaginar o que ele queria que ela soubesse.

De repente, um funcionário da escola entrou na sala.

— Alonso, seu pai já está aqui. Me acompanhe, por favor.

Maya arrumou suas coisas e o seguiu até a saída. Lá fora, viu seu pai encostado no carro, sorrindo.

— Vamos. Te explico tudo no caminho — disse ele, abrindo a porta.

No carro, Julian começou a contar:

— Quando seu avô tinha nove anos, o pai dele o levou a um parque de diversões. Foram até um carrossel antigo. Seu avô não entendeu o motivo, mas o bisavô apenas sorriu, abriu uma porta escondida no carrossel e o mandou entrar. A partir dali… tudo mudou. Agora é a sua vez.

— Pai, por favor! Me conta! — Maya pediu aflita.

— Vem comigo. Sai do carro. Eu te mostro.

Eles caminharam até um parque de diversões antigo, fechado ao público. Julian abriu um portão enferrujado, atravessaram o parque silencioso até o carrossel. Ele subiu e puxou uma alavanca escondida. Uma porta lateral se abriu.

— Entra. Depois você me pergunta.

Maya, embora relutante, entrou. Uma escada levava para baixo. Ela desceu, e logo viu mochilas, bússolas, túneis e equipamentos estranhos.

— O que é isso? Onde isso vai dar? — perguntou, assustada.

— Está a fim de conhecer o centro da Terra?

— O quê?! Você está brincando, né?

— Vamos. Pega uma mochila e uma bússola.

Ambos se equiparam. Julian abriu uma passagem nos túneis, e Maya entrou. Logo ele a seguiu. O que viram era indescritível: cristais brilhando nas paredes, rios subterrâneos e criaturas que ela só conhecia dos livros.

— Pai… isso é o paraíso… Como…

— Maya? Maya! Acorda, Maya!

Ela acordou assustada. Estava em sua cama. O quarto parecia normal.

— Vamos, filha! Hoje é seu primeiro dia de aula. O café já está pronto — disse o pai da porta, sorrindo.

Maya sentou-se na cama, confusa. Teria sido tudo um sonho? Mas então sentiu algo no bolso do pijama. Pegou e… era uma bússola antiga, idêntica à do sonho.

“Será que foi só um sonho mesmo?”, pensou.

Levantou-se, sorriu e foi se arrumar. A vida é cheia de mistérios — e aquele primeiro dia de aula prometia muito mais do que apenas uma prova de matemática.

Geísa Silva Mascarenhas.



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